Tem cenas ficam para sempre guardadas em nossa memória. Quem pode esquecer os primeiros passos do seu filho? Ou a primeira vez que se deparou com a imensidão do oceano? Ou ainda mais aquela viagem inesquecível com seus amigos que você aprontou horrores?
Para muitos, a segunda-feira, é como um banho de água fria em um inverno de -500 graus negativos. Nunca a encarei dessa maneira. Para mim, é um horizonte de novas oportunidades que se abre bem na nossa frente e simplesmente não valorizamos.
O sol brilhava com todo o seu esplendor enquanto eu caminhava para a parada de ônibus. Ao chegar me deparo com um homem completamente bêbado sentado em um banco. Minha primeira reação foi de um pouco de medo. Mas o cidadão estava tão embriagado que poderia estar achando que eu era apenas uma alucinação. É incrível como quando alguém quer sair logo de uma situação parece que o ponteiro das horas emperra e minutos parecem horas. Pensei logo: Meu Deus! Esse ônibus está vindo de ré?
Para minha alegria, um rapaz de uns 20 e poucos anos, chegou pouco tempo depois. Pela roupa de trabalho devia ser alguém que estivesse no seu horário de almoço e quisesse ir para casa tomar um banho para recarregar suas energias. No momento, me senti um pouco segura. Minutos depois, aconteceu o esperado, o homem vomitou. Meu estômago esboçou uma reação. Até hoje me pergunto o que ele queria colocar pra fora porque naquela hora se encontrava vazio. Apertei bem a minha barriga e disse bem baixinho: Fica na tua! Não vá piorar a minha situação! Depois de subir aquele cheiro bem agradável de algodão-doce. Olhei para o lado e percebi que o cartão do passe dele havia caído dentro da poça que se formou. Uma voz dentro de mim falou: ‘O bichinho! Ajude-o! Vá lá e pegue o cartão.' Eu simplesmente ignorei.
Vocês já notaram que quando um ônibus surge bem distante as pessoas parecem que vão para um desfile de escola de samba. É um vuco-vuco sem fim. Arruma a roupa. Ajeita o cabelo. Confere pra ver se não pegou o cartão do game-station por engano. Meu pensamento nesse momento era : ‘’É o meu. É o meu. É o meu’’. Como sou uma pessoa muito sortuda que nunca ganhou nem sorteio de papel higiênico nessa vida, não era o meu. Era o do rapaz que tinha chegado apenas uns milésimos de segundos depois de mim. Pelo menos na minha visão irritada, parecia aquela corrida de 50 metros, que um dos participantes ganham apenas porque colocam a cabeça para frente e tem a sorte de ter nascido com um belo nariz igualzinho ao do Luciano Huck.
Então o inesperado aconteceu. Para meu espanto aquele rapaz abaixou pegou o cartão do bêbado e olhou com cara de desprezo e certamente pensando: ‘’Quem mandou você beber? Otário!’’ Entrou no ônibus e foi embora. Fiquei sem reação. Esse foi um daqueles momentos que parece que acontecem em câmera lenta. Você quer ter uma reação mas simplesmente fica observando tudo acontecer passivamente. Depois fiquei me perguntando como é que aquela pessoa poderia voltar pra casa. O bêbado saiu caminhando sozinho e eu segui o meu caminho mas com uma diferença a crise de consciência bateu a minha porta.
Até quando vamos continuar apenas agindo apenas como telespectadores? Essas e outras situações , acontecem bem debaixo dos nossos olhos e nós apenas fingimos que aquilo não é da nossa conta. Aprendi uma bela lição. Não vou mais fazer parte da platéia. Quero assumir o papel principal perante a vida.

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