domingo, 10 de julho de 2011

Partida



     Ele partiu quando eu menos esperava. Nem me recordo se era um dia chuvoso ou ensolarado.  Foi tudo tão de repente. Quando eu olhei para trás, só havia suas pegadas. Desde aquele momento tive a sensação de ser anestesiada. Parecia até um filme em que eu era apenas uma telespectadora. O controle remoto só voltava as fitas de minhas memórias e eu observava tudo aquilo incrédula.


     O vento não trazia mais seu perfume que tanto me encantava. No lugar de sua suave voz, tudo era silêncio. As minhas mãos frias sentiam falta de seu calor. O meu corpo sentia falta da segurança de seu abraço. A nossa música ecoava, na bela voz de Tom Jobim, e se perdia no espaço. Tudo em mim era saudade. Tudo.


     Os porquês reinavam em minha cabeça. Milhares de questionamento me sufocavam. E em todos eles eu era a única culpada. Será que minhas palavras estavam dissonantes de minhas atitudes? Preferi o silencio à dura verdade. 


     O nosso tempo já tinha passado. O meu olhar não mais podia decifrar o dele. Minhas palavras já não faziam o mesmo efeito.  Quando ele soltou minha mão, eu percebi que nossa história tinha chegado ao fim. Para ele, não para mim. 



     Entre quem eu fui e quem eu iria ser, resolvi seguir meu caminho sem olhar para trás. No lugar de pontos finais eu escolhi as reticências. Juntando as pétalas de meu coração, notei que elas se transformaram em algo novo. É a mágica da vida. Tem que sempre que um partir para o outro chegar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário